domingo, 2 de outubro de 2011

Palco Giratório 2011: A poesia do sertão em “Concerto de Ispinho e Fulô”

"Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente."

A Rádio Caldeirão fez ontem, no Teatro Um do Sesc Esplanada, uma conexão entre São Paulo, Porto Velho e Assaré. O espetáculo “Concerto de Ispinho e Fulô” mostrou um caminho de poesia, versos, dores e alegrias musicadas no ritmo nordestino, traçando uma bela homenagem ao poeta cearence Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, que faleceu em 2002.


O cenário, ambientado no sertão nordestino, com enxadas, tijolos, rendas, lamparinas, vasilhas de barro e um mapa do Brasil desenhado no centro do palco, aproximaram o público do universo do sertão, onde foram contadas - e cantadas - histórias sobre seca, fome, dor, amores e belezas, assuntos que afinal não são tão distantes assim de qualquer lugar desse Brasil. Regado a doses de cachaça, cajuína e café, os atores e músicos encantaram a platéia ao brincar com a obra do poeta misturada aos depoimentos pessoais dos atores e até do próprio público.

A dramaturgia é construída com recortes de várias passagens da obra do poeta. Poemas, músicas e fatos históricos não registrados nos livros. Como quando um dos personagens grita: “Mas teatro sem conflito, não é teatro!” - e assim é resgatado o massacre do Sítio Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. Todas as passagens são costuradas em um espetáculo cênico musical que coloca o público em contato com a crítica social feita por um homem humilde que nunca deixou Assaré, seu lugar.


Bate-papo com a Cia. do Tijolo depois do espetáculo
Neste domingo, no encerramento no Festival, a Cia. do Tijolo apresenta outro espetáculo musical: “Cante Lá que Eu Canto Cá”, que trilha o mesmo caminho, ao juntar poesias e músicas para contar a história de um homem que perdeu seu amor, das reflexões do poeta e da arte de versejar, do coração que segue caminhos enviesados e das festas do sertão.

A Cia. do Tijolo tem quatro anos de formação, e em maio deste ano participaram de um festival de teatro em Copenhagen, na Dinamarca, onde fizeram seis apresentações. Quem quiser saber mais sobre o grupo pode visitar o blog: www.concertodeispinhoefulo.blogspot.com

“Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o Sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá”

Patativa do Assaré

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