terça-feira, 26 de julho de 2011

Cores, músicas e improviso marcam apresentação de “Cordel do Amor Sem Fim” em Porto Velho.

Foto de Avener Prado



Por Juraci Júnior

O público que aguardava na fila o início do espetáculo “Cordel do Amor Sem Fim”, na noite de segunda feira no Sesc Rondônia, foi recebido por uma trupe de artistas que além de cantar, convidava a todos para tomar uma “cachaça mineira com essência da nossa terra”. Eram os atores da Cia Cores da Rotunda, do Amapá. A energia dos artistas contagiou o público, ali mesmo, antes do espetáculo propriamente dito.

O espetáculo apresentado trouxe uma junção do cordel nordestino e elementos da Commedia Dell'arte. Homens interpretando papéis femininos, máscaras expressivas que revelavam personagens bem definidos, adereços como tecidos de chitas e fitas coloridas, compunham as cenas amarradas pelo diretor Tom Rodrigues. A pesquisa da linguagem circense também merece ser lembrada, bem como o domínio do jogo do improviso, especialmente do ator Josias Monteiro, que interpretou “Carminha”, uma das mulheres da história, arrancando, por várias vezes, aplausos em cena aberta.

A montagem apresentou também um casal de contadores que domina técnicas musicais. A dupla passeava por toda a estória, acrescentando toques musicais, tiradas inteligentes e uma desenvoltura corporal segura.

Após a apresentação o grupo participou de um debate com o público. Confira:

Sobre a montagem do espetáculo

Tom: Foram seis meses de processo de ensaio. Hoje já estamos com mais de um ano de trabalho. Eu já havia montado esse texto no Rio de Janeiro, na época que estudava lá, mas nunca havia trabalhado com máscaras. Daí,quando voltei para Macapá, lancei a proposta aos meninos. Queria experimentar o trabalho com as máscaras, essa nova linguagem. Daí partimos para pesquisas, laboratórios, vídeos, e a partir daí construímos o espetáculo.

O texto tem um caráter muito dramático. Como surgiu a proposta do humor escrachado para essa montagem?

Tom: Queríamos sair do convencional e tirar a plateia daquele sentimento de pena da personagem principal (que vive a espera do amor de Antônio). Chegamos então a proposta de trabalharmos com o bufão, o grotesco, e fugir do amor tradicional. Queríamos fazer comédia. Buscamos a sátira, um corpo grotesco e o improviso como foco principal dos atores. Bebemos na fonte da Commedia Dell'arte e acrescentamos as máscaras, música e cores.

Você falou dessa proposta do grotesco, do humor. Foi seguindo essa linha que optou pelos meninos interpretando os papéis femininos?

Tom: Quando eu comecei, falei que queria trabalhar com acrobacias. A gente nunca trabalhou com isso daí convidei os meninos para experimentarmos. Com as meninas que eu tinha em mente, mesmo com muito trabalho, com certeza não seria a mesma coisa. Diferentemente do trabalho com os meninos.

E os atores já tinham uma base de trabalho de circense?

Tom: Alguma coisa a gente tinha em Macapá, uma base de malabares. Mas o Alen (que vive a Teresa, protagonista da história) estudou na Escola de Circo de Salvador, ele chegou na cidade e já fiz o convite e ele trouxe a ideia do monociclo, da corda indiana. Era exatamente o que eu queria.

O Grupo Cores da Rotunda se apresentou no terceiro dia da mostra em Porto Velho. O público da cidade ainda poderá conferir espetáculos de dança, teatro e mais shows musicais.



Confira em: www.ro.sesc.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O blog do Sesc Rondônia tem por prioridade divulgar as ações e processos da instituição dando respostas a respeito da programação de eventos e outros, não sendo o canal administrativo para o recebimento de reclamações oficiais, reservando-se ao direito de não publicar mensagens que em sua essência contenham mensagens de cunho injurioso ou com linguagem depreciativa. Os usuários ou outros que desejarem fazer reclamações formais ao Sesc poderão entrar em contato com a administração regional em Porto Velho/RO e encaminhar suas considerações.

Postagens populares (5 mais recentes)